terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O QUE JESUS QUIS DIZER COM DAR A OUTRA FACE? E O QUE NÃO QUIS DIZER?

 Por: André Sanchez

 

Os ensinos de Jesus são sempre desafiantes, não só quanto ao entendimento correto deles, mas também quanto a prática deles no dia a dia. Vamos aprender o que realmente quer dizer dar a outra face para que fique clara a intenção de Jesus nesse ensino.

 O que Jesus quis dizer com dar a outra face?

 O famoso texto onde Jesus ensina sobre dar a outra face está em Mateus 5:39: “Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra.”

 A primeira coisa a entender é que esse texto está inserido no trecho que vai do verso 38 até o 42 e que fala sobre vingança pessoal.

 As leis do Antigo Testamento sobre punição de erros de uma pessoa tinham o objetivo de adequar a punição ao erro cometido para evitar excessos. É o princípio da proporcionalidade. Porém, aos poucos, as pessoas começaram a achar que a vingança pessoal era aceita por Deus evocando o “olho por olho, dente por dente” fora da intenção original do mandamento que Deus deu. Jesus está combatendo isso.

 Os servos de Cristo deveriam ser capazes de controlar a sua reação quando fossem insultados ou agredidos. Dar a outra face é não se render à vingança pessoal, mas ser sábio na forma de reagir às injustiças e violências sofridas, de forma que Deus seja glorificado em nossas ações e reações. Quando reagimos pagando o mal com bem impactamos as pessoas com um forte testemunho a respeito da ação de Deus em nossas vidas. Quando pagamos o mal com mal apenas mostramos que somos iguais aos que nos agridem. Esse é o foco principal do ensino de Jesus.

 O que Jesus não quis dizer com dar a outra face?

 Dar a outra face não quer dizer que devemos nos manter em uma posição de sermos agredidos sempre. Jesus não está nos mandando estar sempre diante de quem nos agride nos apresentando a esse tipo de pessoa como um saco de pancadas. Quando somos agredidos, pagamos o mal com o bem, mas tomamos providências para que tais situações não ocorram novamente como, por exemplo, estar a certa distância do agressor ou mesmo buscar reparação na forma da lei através da justiça.

 Dar a outra face não significa abrir mão de nossos direitos. Temos, por exemplo, o apóstolo Paulo diante de uma situação injusta que viveu, apelando para que fosse julgado por César, pois tinha direito a isso como cidadão romano que era:

 “Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César.” (Atos 25:11)

 Paulo não escolheu a vingança pessoal, antes, colocou o caso nas mãos de quem era apto para julgar a questão, cumprindo assim o ensino de Jesus. Isso nos mostra que dar a outra face não significa que temos de abrir mão de nossos direitos legais. Podemos recorrer a eles quando isso for justo.

 Dar a outra face não é aguentar injustiças calado. Quando somos injustiçados de alguma forma (ou vemos outros sendo injustiçados), devemos reagir de modo cristão (sem sermos vingativos), com mansidão e perdão se for o caso, porém, certas injustiças não devem ser aguentadas dia após dia de forma passiva. Jesus ensinou Seus discípulos que são “bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça” (Mateus 5:10), o que implica em estarmos buscando sempre viver e agir em prol da promoção da justiça nesse mundo. Agir dessa forma não quebra o ensino de Cristo de dar a outra face.

 Finalizo dizendo que a maioria das afrontas que vivemos no dia a dia nos instigará a nos vingar do ofensor com nossas próprias mãos. Esse é o curso natural do homem pecaminoso. Mas Jesus nos chama a reagirmos com perdão e uma gigantesca ousadia dando a outra face, fazendo com que o ofensor seja impactado com o poder de Deus que emana das boas ações. Se o caso for grave, podemos saber que existe um Deus justo vendo tudo e que a punição pertence a Ele:

 “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” (Romanos 12:19)

 

Fonte: Esboçando Ideias

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Evangelizando Biblicamente

O mundo mudou, a sociedade evoluiu, o tempo passou e continua a passar, porém a Palavra de Deus permanece para sempre, imutável, fiel e atual.

O evangelismo faz parte de uma ordem que Jesus deu a seua díscípulos (Mc 16.15) e que se estende até nós, cristãos desse século. E daquele dia até hoje a ordem do Senhor tem sido cumprida, porém no perído que chamamos de era moderna a meneira como a igreja tem evangelizado vem perdendo (se é que já não perdeu) a essência da mensgem do evangelho.

O grande problema é que a meneira de se evangelizar tornou-se pragmática, deixamos de lado o fundamento da menssagem que é unicamente a Palavra de Deus. Utiliza-se muito mais de ferramentas como meio de atrair e consolidar uma pessoa na igreja do que o ensino genuíno das Escrituras.

O pior é que essa metolologia inicia-se no evangelismo e continua no discipulado, formando assim um povo "cristão" que está na igreja mas não está no Senhor, tornam-se membros, mas não são convertidos. A igreja é para esses apenas um lugar agradável de se estar assemelhando-se muito a um clube social, diferente da igreja dos primeiros séculos que era um refúgio para os perdidos e perseguida por um sistema corrupto, impiedoso e anticristão.

É necessário voltarmos às raízes do evangelho, a praticarmos um Evangelismo Bíblico centrado totalmente na mensagem dos profetas do Antigo Testamento bem como dos Apóstolos e discípulos do Senhor Jesus.

Existe uma chave esquecida para o Evangelismo Bíblico, porém a igreja atual, em sua maioria, desconhece a sua existência, e, isso pelo fato dessa chve ter se perdido na virada do século XX. A Bíblia a chama de a Chave, sendo mais especifico ela na verdade caiu em desuso, ou seja, foi deixado de lado, não é mais utilizada para evangelizar. 

O Evangelho fala de uma porta em que todo aquele que passar por ela será salvo, essa porta é Cristo ( João 10. 9). O propósito dessa Chave é destrancar a Porta do Salvador, de forma que ela não só é bíblica como também foi utilizada durante história para abrir a porta da salvação para muitos trazendo de forma efetiva avivamento verdadeiro para o povo de Deus.

Essa Chave caiu no esquecimento porque o homem em seu estado caido se envaideceu, engodado pelo diabo e vestido de orgulho se enveredou pelo caminho da religiosidade tirando essa Chave para não mais usá-la, Jesus a chamou de a chave do conhecimento (Lc 11.52). Em outra vezes a entortaram impedindo que ela pudesse fazer o seu papel (Mc 7.8), assim distorcendo a verdadeira mensagem do Evangelho.

Então, que Chave é essa? A Lei de Deus! Sim! O Evangelismo deve ter como instrumento de persuasão dos descrentes a Lei do Senhor. Em Atos dos Apóstolos 28.23, percebemos que Paulo utilizou essa ferramenta para persuadir os seus ouvintes e pregar a mensagem do Evangelho de Jesus. Fazendo mensão da mensagem dos Profetas e da Lei de Moisés o apóstolo dos gentios ministrava ao coração dos pecadores.

A Bíblia diz em 1Timóteo 1.8, que a Lei de Moisés é boa se for usada como se deve. O apóstolo Paulo disse que "não conheceu o que era pecado, senão pela Lei" (Rm 7.7). Assim, a Chave do Evangelismo Bíblico ( a lei de Deus, ou seja, os dez mandamentos) foi feita aos pecadores para que eles tivessem o conhecimento do pecado de forma a se arrependerem e reconhecerem a necessidade do Salvador.

As Sagradas Escrituras nos deixam claro que é a Lei do Senhor que leva os pecadores ao arrependimento fazendo com que eles se convertam e voltem para o seu Criador. O Salmos 19.7 nos diz: "A lei do Senhor é perfeita para converter a alma".

O homem deve primeiro conhecer a sua condição diante de um Deus justo. O homem é infrator da Lei de Deus, e por isso está condenado, a sentença já foi dada, está debaixo da ira de Deus, condenado ao inferno, o valor da "fiança" é altíssimo, de forma que ele não tem como pagar. Qual sua esperança? Que alguém pague para ele. A boa notícia (Boas Novas) é que alguém já pagou!

O preço pago foi o sangue de Jesus Cristo, morto na cruz do calvário, sangue precioso que justifica o condenado desde que este receba pela fé o dom de Deus. O apóstolo Pedro trás essa gloriosa afirmação em sua primeira carta: "Porquanto, estais cientes de que não foi mediante valores perecíveis como a prata e o ouro que fostes resgatados do vosso modo de vida vazio e sem sentido, legado por vossos antepassados" (1Pe 1.18). Veja também 1Coríntios 7.23, Gálatas 3.13 e Hebreus 9.12.

O Evangelho pregado nos dias atuais deixa aculto a parte que aponta o motivo pelo qual o homem está condenado, não basta apenas dizer que ele é pecador de forma genérica citando apenas o texto de Romanos 3.23, deve-se mostrar que ele é culpado de transgredir a santa lei de Deus. Muitos acreditam que por que nunca roubaram ou mataram são pessoas boas e estão isentas, acham que, por exemplo, contar uma "mentirinha" não as condenará, entretanto mentir assim como roubar são pecados diante de Deus e quem comete um ou outro está trangredindo Sua Lei (Os Dez Mandamentos), portanto são culpados.

A Lei em sua integralidade possui as funções de fazer cessar toda justificação dos homems, em Romanos 3.19a está escrito: "Ora, sabemos que tudo  o que a Lei diz, o diz aos que estão sob o domínio da Lei, para que toda a boca se cale...". A Lei também coloca todo o mundo sob o juízo de Deus (Rm 3.19b - "...e todo o mundo seja condenável diante de Deus); faz com que os homens saibam que são pecadores e que ninguém será justificado pelas obras da lei (Rm 3.20 - "visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado."); serve de aio para conduzir o homem até Cristo para sermos justificados pelo seu precioso sangue (Gl 3,24). 

Entendemos, então, que Lei não nos ajuda, ela apenas nos deixa sem valor, desamparados, ela não nos justifica, apenas nos mostra que somos culpados diante de um Deus justo e santo, dependentes de Sua graça e misericódia.

Assim, concluimos com uma citação de Charles Spurgeon:
"Eu não creio que homem algum possa pregar o evangelho sem pregar a lei. A lei é a agulha. Não se consegue passar o fio de lã do evangelho pelo coração de uma pessoa sem antes furá-lo com a agulha da lei, que lhe prepara o caminho."



Por: Romildo C. Santos


terça-feira, 14 de abril de 2020

A ÚLTIMA PÁSCOA - Uma reflexão sobre a Ceia do Senhor

Texto: Jo 13.1-35 / Mt 26.17-30
INT.: A banalização, distorção, comercialização, desfiguraram a páscoa fazendo com que ela se tornasse uma fábula, perdendo, assim, a essência do que realmente ela é e o seu primordial e sublime significado.

I)A PÁSCOA JUDÁICA (Ex 12.2-11)
1.O prenúncio de um novo tempo (v.2)
2.Um dia de memorial (vs.6,14)
3.Perseverança, União e  Obediência (v.3-6)
4.Revela o sacrifício (v.6)
5.Zelo e orientação (v.7)
6.Mostra o Sustento e Provisão (v.8-10)
7.Alerta para o estar Preparado (v.11)

II)ÚLTIMA PÁSCOA E PRIMEIRA CEIA DO SENHOR
A)UM CONTRASTE:
1.A primeira páscoa foi comida às pressas... (Ex 12.11)
2.A última páscoa foi comida sem pressa, sentados...
3.Os hebreus estavam prontos para ir embora...
4.Não havia fuga planejada, Cristo sairia para o jardim...
5.O povo hebreu anelava pela libertação da escravidão...
6.O mundo necessitando de salvação...
B)UMA MUDANÇA:
1.Transformação da última Páscoa na primeira Ceia do Senhor
2.Elem. 1ª Páscoa – memorial dos hebreus como escravos
3.Elem. 1ª Ceia – memorial do sacrifício de Cristo por nós
4.Primeira Páscoa – o vinho era tomado primeiro
5.Primeira Ceia – o pão é oferecido primeiro

III)LIÇÕES TIRADAS DA CEIA PRIMEIRA CEIA DO SENHOR
1.A necessidade de salvação (Jo 13.6-8)
2.A necessidade de abandonar o orgulho (Jo 13.14-16)
3.A importância da humildade (Jo13.5; 12-7)
4.A importância do amor entre nós (Jo13.34)
5.O perigo de não ser lavado por Cristo (Jo13.8)
6.O louvor pela salvação (Mt 26.30)

IV)O SUBLIME SIGNIFICADO DA PÁSCOA (CEIA DO SENHOR)
1.A RESSUREIÇÃO DE JESUS CRISTO
1.1.A vitória sobre o último inimigo
1.2.Jesus venceu a carne (Getsêmani)
1.3.Jesus venceu Satanás (Pregado na Cruz)
1.4.Jesus venceu Pecado (Morreu na cruz)
1.5.Jesus venceu a morte (Ressuscitou)

Conclusão:
A páscoa não pode ser resumida a uma festa simples, com símbolos que apenas remetem ao movimento do comércio, um momento para presentear uns aos outros como ovos de chocolate, não!
A páscoa tem um significado muito maior, muito mais sublime, a páscoa hoje ceia do Senhor é um memorial que nos deve trazer à memória o grande ato de Deus pela humanidade perdida, a derrota da morte e o dom da vida.
O símbolo sublime e grandioso dessa festa deve ser Cristo Jesus, pois ele ressuscitou e vive para sempre!!! Aleluia!!!


segunda-feira, 30 de março de 2020

O CHAMADO DE ABRAÃO - IBA - Culto de Domingo dia 29.03.2020

Palavra ministrada  pelo pastor Jair Marinho na Igreja Batista Ágape no culto de Domingo dia 03/03/2020. 
Tema: O CHAMADO DE ABRÃO
Texto Bíblico: Gn 13. 14-18

PARTE 1/3


PARTE 2/3


PARTE 3/3


IGREJA BATISTA ÁGAPE
PR.: Jair Marinho
ENDEREÇO: Av. Brasil, Nº 117 - Vila Cafeteira, Imperatriz - MA.

sábado, 14 de março de 2020

A TRAGÉDIA DE UMA OPORTUNIDADE DESPERDIÇADA (Parábola dos Talentos)


TEXTO: MATEUS 25.14-30
A parábola anterior a do texto acima citado e a das Virgens, a qual destacou a necessidade de se estar alerta e preparado para a vinda de Cristo. A dos Talentos enfatizam a necessidade do serviço fiel durante a sua ausência. De forma que essa narrativa de Jesus nos traz algumas lições muito importantes acerca do Reino de Deus

Lições a serem aprendidas:

1) O SENHOR QUE SE AUSENTA PARA LONGE POR UM TEMPO E SEUS SERVOS (v.14)
1.1 O homem representa Jesus;
1.2 Saiu de viagem, representa a ascensão de Cristo aos céus (Jo 14.1-3); (At 1.9-11);
1,3 Os servos representam os crentes professos;
1.4 Os bens entregues aos servos representam a obra que Ele deixou cada um responsável.

2) O TESOURO ENTREGUE PARA MORDOMIA (v.15)
2.1 Entendendo o que era, o valor e o que representava o tesouro
  • O que era o talento? Não era uma moeda específica, mas uma medida de peso que poderia diferenciar de valor se fosse ouro ou prata.
  • 1 Talento = 6.000 Denários.                          
  • 1 Denário equivalia ao pagamento de um dia de trabalho.
  • 1 Talento = 6.000 Denários = 600.000,00 (Seiscentos mil Reais).

 2.2 Valores atualizados que cada servo recebeu (colocando em valores de hoje da moeda corrente no Brasil)
  • O Terceiro Servo recebeu 1 Talento = R$ 600.000,00 (Seiscentos mil Reais);
  • O Segundo Servo recebeu 2 Talentos = R$ 1.200.000,00 (Um milhão e duzentos mil Reais);
  • O Primeiro Servo recebeu 5 Talentos = R$ 3.000.000,00 (3 milhões de Reais);

 2.3 O significado dos talentos na parábola
  • Os talentos representam diferentes responsabilidades a serem executadas de acordo com a capacidade de cada homem

 3) A ATITUDE DE QUEM É SERVO (vs. 16-18)
3.1 O que recebeu 5 talentos dobrou (executou a responsabilidade que lhe foi confiada)
3.2 O que recebeu 2 talentos dobrou (executou a responsabilidade que lhe foi confiada)
3.3 O que recebeu 1 talento devolveu (Não executou a responsabilidade que lhe foi confiada)

4) O ACERTO DE CONTAS (vs. 19-23)
4.1 O retorno do Senhor depois de um longo tempo, representa a volta de Cristo indicando que não seria imediata.
4.2 Na volta do seu senhor os dois primeiros servos tinham quantias diferentes a apresentar, mas ambos ofereceram lucro de cem por cento e receberam o mesmo elogio e recompensa. Isso significa que recompensa está baseada na fidelidade e não nos resultados

 5) INDESCULPÁVEL DIANTE DO SENHOR (vs. 24,25)
5.1 A explicação/desculpa que o servo que tinha apenas um talento dar demonstra o seu total desconhecimento de quem era o seu mestre, o que leva a entender que esse servo não representa um crente verdadeiro.
5.2 A resposta do Senhor ao servo não significa que ele está confirmando a declaração do servo infiel, na verdade o mestre está condenando o servo pelas próprias palavras dele, de modo que mesmo se a afirmação do servo fosse verdadeira não serviria de desculpa para sua negligência e preguiça.
5.3 Portanto o talento foi tirado desse servo preguiçoso e rebelde e foi dado àquele que era mais capaz de usá-lo com proveito.

6) A JUSTA CONDENAÇÃO (vs 30)
6.1 O choro e tanger de dentes mostra claramente que isto simboliza o castigo eterno (8:12; 13:42, 50; 22:13; 24:51)